Natália Viana - mesmo artigo modificado

Caro leitor(a),

Nesta página constam 2 artigos da mesma autora. O primeiro, já a seguir, foi postado originalmente no dia 27/12/2010 e transcrito, ipsis litteris, para este blog, no mesmo dia, às 23:30hs, hora Bruxelas.

O segundo artigo, tratando do mesmo assunto, com a mesma data e título, foi transcrito, tal como aparece no Blog da Jornalista, hoje, 02/01/2011, às 19:40, hora Bruxelas.

Talvez possa vir a aparecer uma terceira versão. A resposta só o tempo dirá.

Por questão de segurança, como já estou habituado às diferentes facetas e posturas anti-éticas do jornalismo brasileiro, antes de postar qualquer escrito meu, contendo links referentes a matérias outras, sempre verifico se os textos, previamente selecionados, a que faço referência receberam alguma correção.

No caso do artigo da Natália Viana, o trabalho de verificação valeu a pena. A moça, que se auto-intitula jornalista, mexeu no texto sem avisar, ou sem deixar avisado aos seus leitores.

Eis pois, uma amostra clara da qualidade de uma jornalista brasileira que, convenhamos, não poderia estar melhor hospedada do que no site da Carta Capital. Entre iguais, tudo é permitido, tudo é mudado, qualquer matéria depende apenas do interesse, do interessado ou do lucro em momento dado.

Eis os artigos e compare você mesmo(a):
(Se quiser acessar a última versão, clique «
AQUI». Talvez já esteja diferente de qualquer das duas que transcrevo nesta página. Nunca se sabe.)


Primeiro texto: (O meu post "Fã petista ensina como ler documentos do WikiLeaks. Pode?" faz referência somente a este primeiro texto da jornalista).

MST, o jornalismo em rede – e afinal, documentos são documentos.

Natalia Viana, 27/12/2010


O MST publicou hoje no seu site um texto acusando o jornal O Globo de distorcer os documentos do WikiLeaks para atacar a organização.

O MST ouviu o pesquisador Clifford Andrew Welch, do curso de história da Universidade Federal de São Paulo, principal fonte do telegrama da embaixada mais polêmico sobre o MST. Welch negou que tenha dito que o MST tem espiões no Incra e afirmou que, no documento, suas frases foram colocadas fora do contexto. Isso merece duas reflexões.

Primeiro, o MST fez exatamente o que deve ser feito. O propósito do WikiLeaks ao disponibilizar documentos na internet é justamente permitir que os mais diversos atores leiam e tirem suas próprias conclusões. E as espalhem.

Ontem no programa É Notícia, da Rede TV, o Franklin Martins dizia que estamos vivendo um momento de transição no jornalismo, que deixa de ser o que ele chama de “jornalismo de aquário”, concentrado por um pequeno grupo de meios que podem dizer o que é ou não verdade, para o jornalismo em rede, em que os produtores de conteúdo são muitos.

É nesse momento de transição que aposta do WikiLeaks, ao fazer questão de disponibilizar os documentos na rede.

Mesmo assim, ainda hoje há pouca gente revirando os documentos que já foram publicados – quase 2 mil – para fazer uma leitura crítica, ou uma leitura própria, que seja. Depois de um mês do lançamento, a rede continua fervendo atrás do que é o furo, do que é a novidade. Mas a riqueza dos documentos nem sempre está aí. Uma leitura aprofundada pode revelar coisas muito mais importantes.

E aí vem a segunda reflexão. Tem se discutido muito pouco o que são esses documentos das embaixadas. Eles são, em primeiro lugar, documentos. E devem ser tratados e olhados como tal

Ao longo deste ano, enquanto estava escrevendo um livro-reportagem sobre o jornal Movimento, usei primordialmente fontes documentais. Trabalhando com documentos, você percebe muitas coisas, como por exemplo que os documentos mentem. Muitas vezes.

Eles são produto de um momento específico, escritos por pessoas específicas, com objetivos específicos. Não são prova de uma verdade cabal, embora tragam fortes indícios de que algo está se passando – e que deve ser investigado.

Parte da cobertura sobre o Cablegate tem tratado o conteúdo dos telegramas como se fossem a verdade, e ponto. E nisso, estão fazendo mau jornalismo.

Não é que os telegramas estejam mentindo, mas são apenas interpretações de encontros e informações que, de fato, existiram.

Há muito de substancial nisso: sabemos que os encontros ocorreram, sabemos como os EUA viram e atuaram em relação a cada um dos temas, sabemos quais informações foram transmitidas a Washington e sabemos o que os embaixadores ouviram e o que consideraram revelante. Daí pra ser a prova cabal de que algo que foi informado é verdade, é um longo passo.

Segundo artigo:
(Não corrigi os erros, tipo “distrocer” em vez de distorcer).



MST, o jornalismo em rede – e afinal, documentos são documentos

Natalia Viana, 27/12/2010


O MST publicou hoje no seu site um texto acusando o jornal O Globo de distorcer os documentos do WikiLeaks para atacar a organização.

O MST ouviu o pesquisador Clifford Andrew Welch, do curso de história da Universidade Federal de São Paulo, principal fonte do telegrama da embaixada mais polêmico sobre o MST. Welch negou que tenha dito que o MST tem espiões no Incra e afirmou que, no documento, suas frases foram colocadas fora do contexto. Isso merece duas reflexões.

Primeiro, o MST fez exatamente o que deve ser feito. O propósito do WikiLeaks ao disponibilizar documentos na internet é justamente permitir que os mais diversos atores leiam e tirem suas próprias conclusões. E as espalhem.

Ontem no programa É Notícia, da Rede TV, o Franklin Martins dizia que estamos vivendo um momento de transição no jornalismo, que deixa de ser o que ele chama de “jornalismo de aquário”, concentrado por um pequeno grupo de meios que podem dizer o que é ou não verdade, para o jornalismo em rede, em que os produtores de conteúdo são muitos.

É nesse momento de transição que aposta do WikiLeaks, ao fazer questão de disponibilizar os documentos na rede.

Mesmo assim, ainda hoje há pouca gente revirando os documentos que já foram publicados – quase 2 mil – para fazer uma leitura crítica, ou uma leitura própria, que seja. Depois de um mês do lançamento, a rede continua fervendo atrás do que é o furo, do que é a novidade. Mas a riqueza dos documentos nem sempre está aí. Uma leitura aprofundada pode revelar coisas muito mais importantes.

E aí vem a segunda reflexão. Tem se discutido muito pouco o que são esses documentos das embaixadas. Eles são, em primeiro lugar, documentos. E devem ser tratados e olhados como tal.

Ao longo deste ano, enquanto estava escrevendo um livro-reportagem sobre o jornal Movimento, usei primordialmente fontes documentais.

Trabalhando com documentos, você percebe muitas coisas, como por exemplo que os documentos podem mentir ou distrocer algo. São o produto de um momento específico, escritos por pessoas específicas, com objetivos específicos. Não são prova de uma verdade cabal, embora tragam fortes indícios de que algo está se passando – e que deve ser investigado.

Parte da cobertura sobre o Cablegate tem tratado o conteúdo dos telegramas como se fossem a verdade, e ponto. E nisso, estão fazendo mau jornalismo. Em alguns casos falta checar as informações, comparar, avaliar com mais critério.

Não é que os telegramas estejam mentindo, mas podem ser apenas uma interpretação de encontros e informações que, de fato, existiram.

Há muito de substancial nisso: sabemos que os encontros ocorreram, sabemos como os EUA viram e atuaram em relação a cada um dos temas, sabemos quais informações foram transmitidas a Washington e sabemos o que os embaixadores ouviram e o que consideraram revelante. Daí pra ser a prova cabal de algo que foi informado é verdade, é, algumas vezes, um longo caminho.