Brazil - US: engaging moderate Muslims, monitoring "threatening" ones

Embaixada se aproxima de muçulmanos moderados para vigiar extremistas
http://www.wikileaks.ch/articles/2010/US-engaging-moderate-muslims.html

Documentos que fundamentam este artigo: 09SAOPAULO653; 09SAOPAULO663;

Natalia Viana, 29 de Novembro de 2010, 07.35 GMT

São Paulo, Brasil - Novos documentos publicados pelo WikiLeaks mostram que o governo americano tem buscado se aproximar da comunidade muçulmana no Brasil como uma estratégia de contra-terrorismo. Para a missão americana, São Paulo é uma das áreas onde elementos extremistas têm tentado recrutar jovens para a causa terrorista. Por isso, o consulado na cidade avalia que o Brasil seria o local ideal para testar estratégias que podem ser úteis em outros países com minorias muçulmanas.

Em 2009, o consulado em São Paulo promoveu a visita da representante especial do governo americano para comunidades muçulmanas, Farah Pandith, e começou a articular a visita de um sheik americano moderado. "A aproximação com muçulmanos moderados coloca os radicais na defensiva e abre canais de comunicação que podem levar a maior informações sobre elementos distantes da comunidade mais propensos ao radicalismo", diz um telegrama do consulado americano em São Paulo , enviado em 20 de novembro de 2009.

A visão dos EUA confirma o depoimento do ex-chefe do Departamento de Inteligência da Polícia Federal Daniel Lorenz sobre a prisão do libanês "senhor K" em maio de 2009 em São Paulo. Lorenz afirmou em uma audiência na Câmara dos Deputados que a PF distinguiu três estágios de atividades terrorista no país.

Primeiro, extremistas estrangeiros teriam usado o país como escala de viagem. Depois, teriam procurado se legalizar e estabelecer no país através de adoção de filhos brasileiros. Finalmente, extremistas residentes estariam iniciando ações de recrutamento, apoio, treinamento, logística e reconhecimento para ações terroristas fora do país. A PF costuma compartilhar informações com a inteligência americana. O governo brasileiro nega a existência de atividades terroristas em solo nacional.

Engajando a comunidade

O primeiro telegrama confidencial enviado pelo cônsul em São Paulo, Thomas White, em 11 de novembro de 2009 (09SAOPAULO653), revela que há vários anos o consulado tem tentado se aproximar da comunidade árabe. Através do cônsul-geral do Líbano, Joseph Sayah, White diz ter construído uma grande rede de amigos, entre sheiks e lideranças. “Não tire o olho dos sunitas”, teria avisado Sayad, explicando que muitos jovem brasileiros têm sido atraídos pelo fundamentalismo islâmico. O documento descreve também a comunidade libanesa brasileira, afirmando que os novos imigrantes do Líbano "são mais pobres e bem mais xiitas”: “A sua política é mais radical e eles freqüentemente seguem a liderança do Hezbollah".

"A aproximação com muçulmanos moderados coloca os radicais na defensiva e abre canais de comunicação que poderiam levar a mais informações sobre elementos distantes da comunidade mais propensos ao radicalismo", escreve o cônsul americano. "Trabalhar junto com os moderados não deve ser visto como algo separado de monitorar elementos mais ameaçadores".

Visita

Um dos grandes momentos da visita de Farah Pandith nos dias 22 e 23 de novembro foi uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo na qual ela relatou sua história "como uma muçulmana americana". A visita foi acompanhada de perto pelo consulado e relatada em um telegrama de 8 de dezembro de 2009 (09SAOPAULO663).

Durante a visita Pandith encontrou representantes da comunidade muçulmana e visitou a mesquita de Santo Amaro, onde conversou com jovens estudantes. "No geral, o grupo foi amigável e altamente accessível. As crianças mostraram interesse em aprender inglês e um conhecimento óbvio da cultura pop americana", descreveu o cônsul.

Além da visita de Pandith, o consulado sugere engajar a comunidade muçulmana através de apresentações sobre o presidente Obama e a visita de um sheik americano "que pode explicar como o Islã é agora uma parte vital da sociedade americana e construir laços com líderes religiosos locais". A idéia do consulado é replicar a estratégia em outros países com minorias muçulmanas pelo mundo.
Versão original:

Natalia Viana, 29 November 2010, 07.36 GMT

São Paulo, Brazil - New documents released by Wikileaks show that the US government tried to engage the Muslim community in Brazil to combat the spread of extremism.

In a report sent to Washington in 20 November 2009, the American consul in Sao Paulo suggested that, "Brazil could be an excellent testing ground for programs that might be useful to other WHA (the Bureau of Western Hemisphere Affairs) posts with similar Muslim minority populations". In late November 2009, the consul organized a visit of US Government’s Special Representative for Muslim Communities to Sao Paulo. She visited a mosque, met religious leaders and was interviewed by an important newspaper about her story "as an American Muslim".

She also spoke to students at the Santo Amaro mosque’s school. According to a cable sent on 8 December 2009, "Overall, the group was friendly and highly accessible. The kids evinced interest in learning English and showed obvious knowledge of U.S. pop culture."

Another cable sent in November 2009 explained the consul’s plan in more detail.

"Engaging moderate Muslims puts radicals on the defensive and opens conduits of communication that could lead to greater information about more distant elements of the community given over to greater radicalism. Work with friendly moderates should not be seen as separate from monitoring more threatening elements".

Apart from the visit of Farah Pandith, the document suggests "a series of outreach presentations on President Obama" and, more importantly" to bring down a visiting U.S.

Sheik who can explain how Islam is now a vital part of American society and build ties with local religious leaders.

The US strategy seems to build on the findings of the Brazilian security forces. Daniel Lorenz, the former head of intelligence of the federal police, said at a congress hearing in July 2009 that Lebanese extremist living in Sao Paulo have recruited in order to promote communications and logistics for terrorist acts outside the country.

In May 2009, a member of Al Qaeda allegedly responsible for communications was arrested in the city.